EMPREENDEDORISMO SIGNIFICATIVO

Este texto faz parte da Revista Empreendedorismo em Rede – 1ª Edição/2023

Por Nilza Ribeiro

O processo de construção de uma rede produtiva é um processo de troca, com partilha de conhecimentos e métodos que potencializam o empreendimento de cada um, pois o conhecimento partilhado é a melhor forma de trazer unidade ao processo de desenvolvimento local.

Uma localidade é composta por indivíduos com diferentes vivências e talentos, onde muitos nem sabem qual talento lhe pertence, mas, ao estarem em um grupo que tem como foco a generosidade de se reconhecer no outro, os indivíduos que ainda não deixaram o seu talento latente, sentem-se confortáveis em arriscar dar os primeiros passos para a construção de algo que se soma ao todo.

Ela existe porque pessoas pelos mais variados motivos, se reuniram para viver próximas, o que nem sempre é uma escolha, mas sim uma situação criada por inúmeros fatores. A questão é que vivemos em sociedade, composta por vários grupos que são “definidos” pelo local que habitam. E, para se ter unidade é preciso que estes territórios sejam cuidados, inclusive a parte ambiental: limpeza, sustentabilidade, respeito, conexão com Gaia (planeta). Depois o cuidado com o humano, despertando o senso do coletivo, ficando o indivíduo mais aberto para receber o outro como parte de sua família. Na sequência vem a prosperidade que é o direito de todos em ter suas necessidades básicas de sobrevivência supridas.  Assim, todas as pautas e conceitos que falam de sustentabilidade se resumem apenas em uma tríade: amor, respeito e ética.

O empreendedorismo vem para humanizar processos e não apenas para trabalhar técnicas e conceitos. Empreender é unir várias expertises/talentos na construção de um fluxo de riqueza que é bom para todos, sem fragmentar, sem segmentar por etnia, religião, gênero, idade. Todos somos frutos da mesma raça: humana, e como tal devemos levantar a bandeira da humanidade, com respeito a tudo e a todos.

Até o presente momento, a história planetária foi escrita com mais dores e maldades, do que amor e respeito. É chegado o momento de parar este ciclo vicioso, onde apenas a visibilidade midiática e financeira é o que importa para as pessoas.

Cada um tem seu espaço, e brilha de acordo com o que seu coração emana. Portanto, falar de empreendedorismo é falar de amor, de ética, de respeito pela humanidade, pela natureza e toda vida que existe no planeta.

Empreendedorismo sem uma rede de trocas é apenas uma palavra da moda, porque não se constrói prosperidade sozinho, ela é construída a partir da união de todos por um objetivo comum: o bem-estar social e ambiental. Lembrando que bem-estar social é também o estado de saúde individual, a educação, a cultura que conectam o ser humano com quem ele foi, com quem ele é, e no que ele deseja se transformar. É o processo evolutivo tão elegante que na maioria das vezes deixamos de lado.

Unidade é unir os semelhantes para que juntos possamos conviver em harmonia e equilíbrio com o todo.  Uma sociedade desequilibrada é injusta, perversa, doentia, egoísta, e não consegue evoluir com a rapidez necessária para prover felicidade, prosperidade e saúde para todos. A unidade empodera todos os indivíduos, porque todos são importantes para o processo de melhoria planetária, não há salvadores, há trabalho conjunto e colaborativo.

O Juntos em Rede é este ponto de união entre todos aqueles que desejam o bem comum e desenvolver a localidade a partir desse desejo sincero. O nosso conceito de rede está conectado com o Fluxo da Criação, que começa com um ponto (Juntos),  espalhando as suas sementes (pessoas) pelos territórios, com autonomia, dentro das qualidades e especificidades destas pessoas e seus espaços de vivência, respeitando a história e opinião de todos no processo de fortalecimento de cada localidade.

Nós exercitamos a neutralidade, porque não há uma verdade absoluta. Portanto, a “verdade”, no sentido do que é bom para todos, é construída de forma colaborativa, para que cada um seja responsável pelo crescimento pessoal e local. Nossa equipe aplica o conceito de “Empreendedorismo Significativo”, que fornece autonomia para o indivíduo.

O empreendedorismo como prática da liberdade para conquista da prosperidade e melhoria da relação com o dinheiro, fazendo com que o indivíduo possa entender a função social do empreendedorismo, e isso desde a infância. Não se trata de apenas trabalhar o empreendedor, já que este tem família, tem amigos, é preciso trabalhar toda a comunidade, por isso a construção de redes produtivas locais é importante para que todos os envolvidos estejam engajados no desenvolvimento socioeconômico do seu território. O empreendedorismo é uma ferramenta poderosa de colaboração e sociabilidade entre as pessoas. Neste contexto, empreender se torna algo muito maior do que aplicar técnicas de gestão/administração, colocando-se no patamar de um modelo de sobrevivência/trabalho conjunto, com trocas de aprendizado e experiências na construção de uma prosperidade coletiva, onde todos tenham a mesma condição de compra, produção, venda, distribuição, visibilidade, promovendo com seu fazer/talento o bem-estar local. Teremos assim territórios fortalecidos e pessoas mais felizes.

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